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escrito 2 2010

a vida contínua exigência continua

a destruição

de si deriva em construção

permanência nos poucos blocos nos troços nos toscos espaços

obscuros tópos

troças? roças!

topas?

trocas

cordões de fumaça cabulosa

da erupção do mundo inferior mundo submundo

mundo subterrâneo mudo subcutâneo

infravermelho

no céu de bruma da sensibilidade:

a invisibilidade

…e o esquecimento

a opacidade da visão resguarda as estrelas da devassidão dos desejos

dos destinos horóspicos hóspicos hospitaleiros hospedar inóspitos citadinos e morais

prescrever enlouquecer

- refletindo no céu da imaginação o vapor do corpo

o suor e o desodor

nebulosas e nebulares como fogos como fatos como eletricidade magmática energia

relampejando o ensimesmamento na fantasia de si mesmo como o céu como a terra

aberra e berra beira a dança a boca cheia de terra…

a imobilidade

em um carrossel de fogo virtuoso

e luz

lúdica brinca trinca remoendo redemoinhos espiralando transcendendo

lúbrica

nascendo como fetos férteis vértices vórtices vertigens no horizonte

da montanha precipícios e vales arborescentes crescendo no nada:

salto e vôo

pássaros!

como pássaros

no almoço embriagados em laranja e hormônio

escarificando sinais nas rochas nas camadas do mundo sem mais

grandeza em brusca busca de brechas vãos e miudezas

encontros

certezas hierarquias desorganizadas que se infiltram como chuva guarani crendo poros

poder reservar mananciais poder evaporar poder retornar em ciclo

perdendo-se em todos os estado trânsitos tântricos tanto ou mai imagino o começo do fim necessário e dolorido

ou nunca mais

nada mais

nada demais

desenhar no vapor dos corpos os corpos em vapor voláteis destinos em trânsito

sendo o risco o texto arrisco arisco sentido pelo corpo todo arrepio cores amores odores indômitos vapor vapor temor colunas eriçadas paliçadas derrubadas:

tubulões gabiões

e pontes

ah… pontes!

enfim o esquecimento na sobriedade

e o rio de Goethe e Schubert fluindo serpenteando sempre na luz da lua na vazante errante

estética

a vida contínua exigência continua

a destruição

de si: deriva em construção

Euler Sandeville Junior, São Paulo, 08/01/2010, 12:00 (09/01) a 01:57

escrito 1 2010

uma bolinha vinha rolando pela fronteira dos olhares

você a conhece?

você a conhece?

você a conhece!

nunca a vi antes

como confiar numa bolinha sem classificação?

sem passport

sem descrição

vamos extraditá-la

mas é só uma bolinha!

nunca se sabe quando virará uma bola de neve meu caro…

e a bolinha era como a bolinha do carimbo

e a rubrica sobre rubrica pudica ordem do mundo das gavetas

e as gavetas conversavam todas ao mesmo tempo, um longo tempo

sem ação

Euler Sandeville Junior, São Paulo, 04/01/2010, 00:37

desenho 2009

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